Saturday, June 18, 2005

OS EXTREMOS NÃO SE TOCAM

Este já não é um país de brandos costumes e onde nada acontece, ao contrário do que alguns saudosistas querem fazer crer aos mais desinteressados da coisa política ou aos menos informados socialmente.
Hoje, a extrema direita (apodo dado pela própria comunicação social aos manifestantes), pode, democráticamente(?!) entenda-se, organizar uma manifestação de protesto (?!) derivada do famigerado "arrastão" ocorrido há poucos dias na praia de Carcavelos.
Se em Carcavelos os protagonistas do acidente -entre "arrastadores" e "arrastados", não atingiram o milhar de pessoas e se se estima em cerca de trezentos a quinhentos o número de "ofendidos e lesados" na manif de Lisboa, a que conclusões poderemos chegar?
Que todos os que se encontravam em Carcavelos a banhos, seriam conotados com a extrema direita portuguesa?. Que a "onda do arrastão" representaria a esquerda marxista lusitana?. No parlamento, a discussão sobre o assunto entre as alas partidárias mais á esquerda e à direita, estiveram a um curto passo de branquearem este cenário.
Os extremos não se tocam; palavreiam-se.
..................
Desejaria eu -há imensos anos que o desejo , que os dirigentes políticos que elegemos (tenham a cor partidária que tiverem) , não me tentem confundir com debates sobre o sexo dos anjos e dos demónios, que tratem com humanismo e rigor a integração dos que nos procuram para uma vida melhor e me deixem ir à praia descansado. Para isso são pagos e não tão mal como apregoam.

25 Comments:

Blogger concha said...

Pois mas quanto aos políticos resta-nos continuar a desejar que sejam o que não são.

3:59 AM  
Blogger sotavento said...

Tenho muita pena de TODOS os que estavam em Carcavelos nesse fim de semana, era daqueles alongados e, quem pode, pisgou-se!...

5:12 AM  
Blogger Luz said...

Conta-se que arrastões existem há uns anitos valentes entre praias, comboios, estações, e nada acontece. Os que deviam legislar, preocupam-se com aumentos de impostos e cortes cosméticos em regalias, nuns casos, e nos direitos à remuneração pelo trabalho feito noutros, são os extremos que não se tocam e cada vez mais se afastam... Num país que caminha alegremente num só sentido...

6:19 AM  
Blogger Vênus said...

Bertus,
Um pedido teu é uma...
Veja!
Bom final de semana!
Bjokass!;)

8:41 AM  
Blogger Aziluthh said...

Não resisti a comentar este teu texto, porque estou profundamente preocupada. Trabalhei com muitos jovens da zona de Sintra, conheço-os bem, na sua linha de risco que fatalmente muitos pisavam. A cintura industrial de Lisboa transformou-se num barril de pólvora com escolas superlotadas onde os problemas eclodem sem haver forma de os deter. Os gangs estão à porta e dentro da escola. Ou se está com eles ou contra eles. Cheguei a ter de proteger alunos à saída. O meu carro atesta os anos de serviço... A Escola Segura não tem mãos a medir com uma equipa de dois homens para cinco ou seis escolas. Nós actuamos disciplinarmente com aquilo que a lei nos dá, ou seja ineficácia. Tolerância e conversas, motivações, estratégias, em suma, evitamos a (de)formação possível. Mas a larga maioria sai com uma escolaridade incompleta ou concluída a ferros e sem nenhuma oportunidade de trabalho à vista. Facilmente a solução que se perfila, a única, por vezes é aderir ao gang. São como moléculas que se vão formando aqui e ali e agora demonstraram o se poder. Espanta-me que o governo não tivesse previsto isso... Quanto aos extremos, concordo contigo. Deixemo-nos de maniqueísmos entre o bem e o mal, os bons e os meus. Trata-se aqui de uma profundísssima crise social, de imigração mal integrada, sobrevivência, rebelião, mas também e como consequência Xenofobia e racismo.
Falei demais Bertus. Mas, isto dá pano para muitas mangas...

10:03 AM  
Blogger heloisa said...

Vim ler, COM AGRADO, mais um pouco!_Nem sempre o posso fazer_!

_GOSTEI!
_GOSTO SEMPRE!
_SAUDACOES!
Heloisa B.P.
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10:31 AM  
Blogger lique said...

Ora pois, meu amigo, e não queríamos todos isso? É que se este problema ( e outros semelhantes) não for resolvido na base, isto vai de mal a pior e as posições vão certamente extremar-se. Trata-se aqui, na maior parte dos casos, de uma segunda geração que não tem as raizes dos pais nem a tal integração, mesmo que a nacionalidade seja portuguesa. E muito pouco é feito para lhes dar oportunidades e outras opções de vida. Para realmente os integrar.
Vivo na linha de Cascais e tenho medo de viajar nos comboios à noite. Normal. Entendo bem que as pessoas tenham medo. Não entendo é que não queiram ver que, do outro lado ( e não devia ser o outro lado) também existe medo, angústia, falta de raizes e que isso conduz à necessidade de afirmação em grupo desta infeliz forma. E pronto também falei demais. Mas este é um tema que tem tantos ângulos...
Beijos e bom resto de fim de semana.

10:51 AM  
Blogger Menina_marota said...

Passei para ler-te e deixar uma abraço fraterno.

Bom fim de semana :-)

11:25 AM  
Blogger MJM said...

Vinha tocar o extremo, mas como não posso...
Li os testemunhos da Aziluth e da Lique e tocaram o meu. Voltei a lembrar-me do pãopachepanha...
Arrastei-me paqui sozinha, mas os outros 499 pedem desculpa.
Kissintés e éve a naice uiquende

6:55 AM  
Blogger Seila said...

Aziluth diz quase tudo; a Lique acrescenta o/s medo/s. Eu falaria da dimensão que é dada ao acontecido, que aumenta os medos, diria da perversidade que existe em divulgar, mais ainda com iamgem. O medo cresce e nada há de mais contagiante e de mais entorpecente que o medo. E eu nem percebo porque nos espantamos com o que acontece!como não entendo as intervenções dos deputados. No Público de Sábado pg.4, vem uma análise muito menos redutora que vale apena ler para reflectir.
Bom resto de domingo
PS: já emendei o teu "cunhado"

7:16 AM  
Blogger Mitsou said...

Nada a acrescentar. Beijinho e bom resto de domingo.

7:56 AM  
Blogger vanrose said...

A ineficácia política é absurda.Com tantos exemplos mal sucedidos por essa Europa, não consigo perceber porque é que teimamos em apostar na exclusão.Quando os franceses já estavam a implodir os bairros sociais, com a clara percepção que fomentavam a exclusão e levavam à formação de guetos, nós estavamos a construí-los em força. A palhaçada do costume, sempre com o atraso respectivo.

2:52 AM  
Blogger Luz said...

No entanto o efeito bola-de-neve destes fenómenos de racismo disfarçados de medo (e aproveitamento do medo do racismo, dá para os dois lados...) é generalizado... Como o exemplo do emigrante português no Reino Unido que ao degolar a namorada criou uma onda xenófoba contra a comunidade emigrante da região... Lógica?! Pelos vistos não faz falta... Todas as desculpas são boas.

4:12 AM  
Blogger Badalo said...

E mai' nada, Porky! Tou contigo ipsis verbis.

Mas haverá solução? Ou qualquer dia isto é uma espécie de Faixa de Gaza? Pelo sim pelo não, vou munir-me de algumas faixas de gaze... :(

5:10 AM  
Blogger ccc said...

Quando se deu este caso, alguém perto de mim disse:" já que a policia não resolve o problema que venham lá os skinheads tratar do assunto".
Fiquei calada, estupefacta como é que será possível alguém no seu perfeito juízo incentivar o extremismo?
É como querer por o lixo debaixo do tapete para ficar tudo bonitinho. A verdade é que temos graves problemas de imigração e não me venham cá com conversas dos pretos isto, pretos aquilo. eh pá tenham santa paciência!! Independentemente da cor,raça, a integração dos imigrantes foi mal feita e continua a ser.
Não me vou calar ... por isso é melhor parar por aqui. beijocas

7:13 AM  
Blogger Menina_marota said...

Hoje, quando saí pela manhã passear o meu cão e um outro adoptivo, de que tomo conta, ao chegar próximo do local onde os costumo soltar, muito próximo de uma praia não muito movimentada, diz-me um pescador:
- menina, tenha cuidado, andam aí uns cabeças rapadas a dizer, que vão "caçetar" em quem não lhes dê dinheiro. É melhor ir-se embora daqui, que eles andam ali duas ruas abaixo.
Fiquei pasmada! E, a GNR? Não anda aqui?
- Já os chamaram e eles disseram, que ainda não tinha havido disturbios, para ficarmos em casa...

Eu não queria falar de política... mas... é esta a política que temos?
Voltámos a que tempos?
Um abraço e uma boa semana :-)

7:24 AM  
Blogger manuel said...

Embatuquei porque estando de acordo contigo e com os comentários, também não estou...

Nem os "políticos" são todos iguais, nem a questão levantada pode ser resolvida com panaceias... políticas. Conheço pelo menos um político português, oriundo de Cabo Verde, (nada badalado, claro) que tem desenvolvido uma acção notável em matéria de integração de imigrantes. A questão porém é que os milhões e milhões de "descartáveis" da sociedade actual são o outro lado da moeda da abundância e desperdício de uns tantos. E aqui é que a porca (que não o Porkinho) torce o rabo...

abraço

9:15 AM  
Blogger Angela said...

Desejaria eu que tivessemos políticos dignos desse nome.

10:38 AM  
Blogger Kitty said...

É, talvez, um dos maiores obstáculos ao nosso país: a política não é entendida como um instrumento de melhoria e progresso, mas sim de guerrilha. Só quem tem o poder é que tem razão e os outros não concordam independentemente da relevância da questão e vice-versa.

Sei de casos em que reuniões de comissões para discutir a situação financeira acabaram em troca de arrufos, de tal forma que as pessoas que lá estavam para apresentar os dados bateram com a porta e deixaram os políticos a falar sozinhos, pois eles não querem saber do que podem fazer, apenas trocar acusações sobre o passado, que já não pode ser alterado :-(

3:35 PM  
Blogger Um Olhar Sobre... said...

Xiiiii bertus, eu ando mesmo com uma falta de tempo danada, mas quero desejar-te uma óptima semana e deixar-te um beijo grande.
Intés

6:25 PM  
Blogger Yardbird said...

Mas a mim parece-me que é um problema a nível global, Bertus. E não me parece que seja com legislação que se lá vá.
Talvez com medidas adequadas e integrações reais. O que é preciso é que os visados queiram ser integrados.
É que me faz lembrar a história da velhinha que os 3 escuteiros ajudam a atravessar a rua e ela afinal nem queria atravessar
Um abraço, até já

1:48 AM  
Blogger agua_quente said...

Que te hei-de eu dizer que já não tenha sido dito? Hoje ouvi as notícias sobre os incidentes de ontem na linha de Sintra e parece-me que cada vez se tornam mais urgentes medidas que tendam a resolver a situação e não a pôr "paninhos quentes". Pessoas a saltar pela janela do comboio? O que é que isto indicia senão o clima de tensão e alguma angústia que, diga-se a verdade, também tem sido fomentado pela comunicação social?
Será que os ditos "políticos" vão fazer alguma coisa ou estão tão preocupados em nos lixar por causa do deficit que nada mais lhes importa?
Beijos

4:14 AM  
Blogger yulunga said...

A manifestação de 10 de Junho infelizmente veio tarde, e só foi recrimindada por ter sido uma iniciativa de quem foi.
Se calhar falta-nos aquilo que os gangs têm em demasia: união.

6:06 AM  
Blogger JPD said...

Olá Alberto!

É em períodos de crise que se avalia a estirpe dos políticos que dicidiram exercer política e foram sufragados para cumprir um programa de governo ou de qualquer outra magistratura.
Como representantes do Estado não podem em caso algum criar e difundir a imagem de recuo ou fraqueza do Estado. Se essa eventualidade for pressentida estará tudo tramado pela simples razão de haver quem não tendo nada a perder desencadear acções de desestabilização que têm como alvo respostas retaliadores e a instalação do caos, medo, insegurança, pânico, xenofobia, racismo...o enfraquecim,ento do Estado de Direito. Temo que tudo isto possa estar em curso.
A tua análise éstá excelente. Concordo em absoluto com ela.
Um grande abraço.

2:37 PM  
Blogger Lua said...

Entristece-me concluir que somos administrados, salvo raras excepções, por quem se pretende governar e não governarmos.

12:07 PM  

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